libcom.org: uma introdução

O problema

Todo dia, nos levantamos para ir ao trabalho e receber ordens de um chefe. Nos sentamos no posto de trabalho e começamos a contar os minutos que faltam para voltar para casa, os dias que faltam para o fim de semana e para o próximo feriado, desperdiçando nossa vida. Ou pior, podemos não encontrar trabalho e ter de nos arranjar com subsídios do governo (seguros, auxílios). Ficamos preocupados com o pagamento das contas e do aluguel e, no fim de cada mês, sempre parece que temos o mesmo saldo bancário. Nos assombra a possibilidade de não termos o suficiente para o dia que começarmos uma família, talvez, quem sabe, no próximo ano. Nos dá raiva a última guerra que o governo decidiu iniciar, e mais uma vez fomos ignorados. Ouvimos as notícias mais recentes sobre as alterações climáticas e nos perguntamos se nossos filhos terão um futuro. O problema é que, dia após dia, recriamos um mundo que não foi construído para satisfazer nossas necessidades e que não está sob nosso controle. Nele, não somos seres humanos, mas recursos humanos, engrenagens em uma máquina que só conhece um fim: o lucro. A busca incessante do lucro nos mantém em trabalhos maçantes, ou, se desempregados, procurando esses trabalhos; essa busca nos mantém continuamente preocupados com os pagamentos do aluguel ou a prestação da casa, quando na verdade nossas casas foram construídas e pagas há muito tempo; e essa busca mantém o planeta no rumo para um desastre ambiental, a medida que a mudança climática se acelera e os líderes mundiais pontificam. Neste mundo, tudo tem um preço. A cada dia, mais e mais coisas entram no mercado. Há um séculos eram os automóveis, hoje até mesmo o DNA e a atmosfera terrestre têm um preço. Para as coisas que mais gostamos na vida - a amizade, o amor, o jogo - a ideia de dar um preço é absurda ou mesmo obscena. A ideia nos parece absurda porque o mercado não age pelos mesmos princípios que nós agimos. As "forças de mercado" deixam centenas de milhões famintos em um mundo com alimentos em abundância. Milhões morrem de doenças preveníveis, enquanto as empresas farmacêuticas gastam mais em marketing do que em pesquisa importante. O mercado não reconhece as necessidades humanas, reconhece apenas o dinheiro equivalente. A única maneira de conseguir dinheiro é trabalhando para um patrão ou reivindicando auxílios do Estado. Ao trabalhar por um salário, nossos próprios corpos e mentes entram no mercado como coisas a serem compradas e vendidas. Quando trabalhamos, produzimos ainda mais coisas que podem ser vendidas no mercado. Mas nós não recebemos o pagamento pelo valor total que criamos, senão não haveria nenhum lucro para os patrões. Se a empresa não consegue lucros suficientes, ela entra em falência, somos demitidos e o dinheiro será investido em outro lugar. Os interesses dos patrões não são os mesmos que os nossos. O problema do mercado não é que os preços seriam muito altos ou a oferta muito baixa; e nem é a falta ou excesso de regulamentação. O problema é que tudo tem um preço. No mundo do mercado, as necessidades humanas só existem se por acaso formos ricos o suficiente para pagar. Os governos do mundo todo operam para defender essa ordem, ora com a isca da democracia e do bem-estar social, ora com o chicote da ditadura e da guerra. Este não é o nosso mundo. Todo dia, pessoas comuns lutam. Trabalhadores se organizam, fazem greves, ocupam e se revoltam: lutam pelas necessidades humanas em um mundo desumano. Este site é para eles. Para ti. Para nós. Para nós que não temos nada para vender exceto a força de trabalho e nada a perder senão as correntes que nos aprisionam. Gente cujas vidas este mundo vampiresco consome até o osso. Quando lutamos pelas nossas necessidades, prefiguramos um mundo diferente, um mundo baseado no princípio "de cada um segundo suas faculdades, a cada um conforme suas necessidades". Um mundo de liberdade e comunidade: o comunismo libertário.

As ideias

O nome libcom é uma abreviação de "libertarian Communism" (comunismo libertário), que é a corrente política com que nos identificamos. O comunismo libertário é a expressão das tendências de cooperação e solidariedade sempre presentes nas sociedades humanas. Estas tendências de ajuda mútua podem ser encontradas por toda a sociedade; em pequenos gestos cotidianos tais como os de pessoas organizando coletivamente uma refeição, ou ajudando um estranho a levar um carrinho de bebê em um lance de escadas. Também podem se manifestar de maneiras mais visíveis, por exemplo, quando um grupo de trabalhadores fazem uma greve de solidariedade em apoio a outros trabalhadores, como a greve que o pessoal de terra da British Airways fez em apoio aos trabalhadores da empresa de serviço de refeição aérea Gate Gourmet, em 2005. Elas também podem explodir e se tornar uma força predominante na sociedade tal como ocorreu na Argentina inteira em 2001, Portugal em 1974, Itália nos anos 1960-1970, França em 1968, Hungria em 1956, Espanha em 1936, Rússia em 1917, Paris em 1871, etc. Nos identificamos principalmente com as tendências de solidariedade, cooperação, ação direta e luta dos trabalhadores ao longo da história, não importa se eles se definiam conscientemente como comunistas libertários (como na revolução espanhola) ou não. Nós também somos influenciados por certas tradições teóricas e práticas específicas, como o anarco-comunismo, o anarco-sindicalismo, a ultra-esquerda, o comunismo de esquerda, o marxismo libertário, o comunismo de conselhos e outros. Temos simpatias com escritores e organizações como Karl Marx, Gilles Dauvé, Maurice Brinton, o grupo Wildcat (Alemanha), a Anarchist Federation e a Solidarity Federation (Grã-Bretanha), o site prole.info, os grupos Aufheben, Solidarity, os situacionistas, a CNT (Espanha), entre outros. No entanto, reconhecemos as limitações de aplicar essas idéias e formas de organização na sociedade contemporânea. Enfatizamos a compreensão e transformação das relações sociais que experimentamos aqui e agora em nossas vidas cotidianas para melhorar nossas circunstâncias e proteger o planeta, aprendendo também com os erros e acertos dos movimentos e ideias passadas da classe trabalhadora.

O site

O site contém notícias e análises das lutas dos trabalhadores, discussões e um arquivo crescente de mais de 16.000 artigos fornecidos pelos nossos mais de 10.000 usuários que vão desde história e biografias até textos teóricos, livros completos e panfletos. Incorporamos vários outros arquivos on-line ao longo dos anos, e, além disso, centenas de textos exclusivos escritos ou escaneados por ou para nós. Somos completamente independentes de todos os sindicatos e partidos políticos; o site é inteiramente financiado pelas contribuições de nossos administradores voluntários e por doações de usuários. Se você pensa estar de acordo conosco, por que não se registrar e participar? Traduzido por: Humanaesfera [http://humanaesfera.blogspot.com.br / joaosac@yahoo.com.br ] e Manifesto A Economia do Vício [http://manifestoaeconomiadovicio.blogspot.com.br]